20 abril, 2011

Ponte...

Existe uma ponte entre nós,
nem sempre transitável.
Algumas vezes fechada,
para abri-la empurre
o destroço,
serre a corrente.
Não me deixe ausente,
arraste-me...
Basta uma palavra
e todo horizonte
estará a nossa frente.
Estenda a mão,
seguro serei em atravessar.
Serei capaz de te levar
nos braços...
Basta uma palavra e
enfrento toda tormenta.
Basta um gesto e te levarei.
Basta um gesto e chegarei
no fim.

19 abril, 2011

Viver em seu coração

Perdi o controle
Escapei de mim
Fugi da calma
Magoei minha alma
Entrei contramão
Magoei seu coração
Mas foi sem intenção
Não penso para agir
Escapo de mim...
Saio da direção
Enfrento minhas sombras
Confundo medo com solidão
De verdade?
Não sei viver por viver
Só sei viver para você...
Vou me refazer
Vou me entender
Vou me pertencer
Desde que seja com você...
Perdoe minha insensatez
Não me julgue sem perdão
Eu só quero viver em seu coração... 


Foto: Marina Antunes Polak.

18 abril, 2011

Será?!


Será?!


Saí nua pelas ruas, numa nudez estranha, sem pudor. Logo eu que sempre tive vergonha, mas mesmo assim fui falar com a natureza, perguntar o que falta ou o que está demais. Depois sentei no asfalto gelado; de frente para os carros, olhos abertos, coração pulando mais que o normal e me fiz de surda (mais surda). Em seguida entrei num bar, pedi a bebida mais pura: água mineral. Eu preciso mostrar minha lucidez, sem drogas, sem álcool... Talvez me vejam como louca ou sei lá o que! Eu preciso mostrar minha indignação para tanta falta de escrúpulos, de amor... Dá pra ser menos num mundo onde tudo é mais? Mais caro, mais rico, mais bonito, mais, mais...  O único mais que consigo é ser mais uma nas filas, na espera, na ilusão... E por falar em fila, lá estava eu na fila de um caixa de um supermercado. Sabe aquela promoção que lá na prateleira existe e no caixa não? Esse respeito está faltando muito por aqui. E a palavra, aquela que revela seu caráter, existe? Tive uma educação em que isso era fundamental, sim para o sim, não para o não – hoje ouço muito: talvez, mais ou menos, quem sabe... De repente assisto uma cena de um pai e filho (conhecidos meus) numa discussão tão baixa; senti vergonha, pena, tamanha foram as agressões físicas e verbais. Senti saudades dos meus dias com meus pais. Só de nos olharmos sabíamos o significado. Nunca íamos dormir sem o perdão, sem a benção. Quer amor melhor que esse? O que realmente falta é o direito de ir e vir, saber a hora de falar, calar. Tudo deveria ser como ir ao cinema: pago, entro, se não estou gostando, me retiro em silêncio, simples assim. Mas não, é como se os outros precisassem saber, ou ver o estardalhaço. E estou vendo isso: uma senhora fazendo o maior drama porque a vendedora não acha o número do sapato que ela quer. Porque o outro “fechou” o motorista do carro importado. Porque o garçom esqueceu o pedido. Porque o “delegado” se acha o “dono” do estacionamento. Porque o médico é “safado”. Porque o “político” cobra “algum”. Ando, a chuva começa a cair, a sujeira das ruas se acumulando e fazendo uma barreira, como de um combate.  Acho que estou em um mundo medonhamente estranho daquilo que deveria ser. Vejo “homens” matando por puro preconceito, por farra, ou simplesmente por não aceitar a opção de vida de outra vida. Estou com frio, medo e tudo parecem longe demais da minha casa e é lá que eu deveria estar. Vejo-me tentando atravessar a rua e o barulho da tempestade atrapalha meu andar. Viro, vejo água por todo lado, carros, casas, pessoas como folhas ao vento. Corro em direção contrária. O medo me consome, minha voz não sai... Entendo minha nudez. Estou friamente morta para o mundo. Não posso suportar tamanha destruição... Mas o medo congela meus olhos, começo a suar, tremer... Socorro! Ajudem-me, não sei pra onde ir, não tenho no que me agarrar. Tudo é muito estranho; vejo pessoas caindo, sangue, destruição... Acordo! Com o coração saindo pela boca. Graças a Deus foi apenas um sonho ruim, um pesadelo. Será?!

Intenso

A beleza de ser o que você é
Faz-te único em meio a tantas dores
Nada é em vão e coisas sem explicação
São por si comento de momentos incertos
Mas haja em você o que mostra os olhos
Certeza de crer, certeza de poder
Muito pra viver, muito para aprender
Haja tempo pra eu te ver
Lá na frente, de braços abertos
De coração certo na escolha
Escolha de lutar e vencer
Com a mesma beleza de ser
O que você é: intenso!


Foto: Marina Antunes Polak.


14 abril, 2011

Talvez...

É, talvez o mundo não esteja girando conforme o que você gostaria.
Talvez ele esteja rápido ou devagar demais.
Talvez essa dúvida nunca seja respondida.

Talvez todas as noites difíceis sejam um sinal.
Talvez um sinal de provação, talvez não.
Talvez para relembrar que coragem somente não basta se não tivermos fé!

Talvez não recebamos um bom dia todos os dias.
Talvez alguns amigos nos magoem às vezes.
Talvez algumas datas sejam esquecidas...
Talvez o cansaço domine a todos nós.

Mas talvez só precisemos voltar a ser crianças,
E ouvir mais uma vez a cor dos pássaros.
A fantasiosa cor dos pássaros.
Sim, ouvir a cor.
Criar, delirar, inventar... Mergulhar.

Ouvir o suspiro do vento, ouvir sua dança nos galhos.
Ouvir um suspiro de alegria.
Ouvir e sentir um sorriso, mesmo se nós estivermos de olhos fechados.

Talvez... Sejamos nós a noz na àrvore, prontos para sermos (a)colhidos.

Bom, o tempo não volta, não para, não é revivido.
O tempo estala, corre, dá choque, dá medo, mas dá presente.
Faz o Sol continuar nascendo lá fora.
Deu à Deus tempo suficiente de te criar exatamente como é e te colocar em nossas vidas, e nos fazer agradecer sempre por isso. Te fez incrível.

Te fez mãe, filha, esposa, amiga, irmã, sobrinha, neta, conhecida, linda, inteligente, ouvida, entendida, decidida... Amada.

Ei, respire.
Viva cada momento hoje, cada momento sempre.
Parabéns hoje, parabéns sempre.
E ainda, obrigada hoje, obrigada sempre.
Muitos anos de vida pra curtir o tempo e o que ele trás: todas as preciosidades da vida...
Pois o tempo nos ensina a viver, a perder e a ganhar.
A compreender que a vida não pára.

E te fez assim, guerreira.

Te amo muito!

Marina.

[Parabéns mãe! Todas as coisas boas do mundo pra você! Presentes, brigadeiros, saúde e paz... E também o nosso amor. Te amo muito.]

Meu espelho


Meu espelho me mostra outro ser e ainda assim eu mesma. Diferente nas formas, no semblante, mas ainda eu. Talvez mais atrevida, menos destemida, mais certa do que quero, do que posso fazer...

Vou me atrevendo nas escolhas, usando o melhor de mim e aprendendo a lidar com o pior de todos. Ainda vou atravessar muitas pontes, enfrentar muitos desafios e com coragem lutar pelo melhor para mim, para os meus e também para os seus, porque não sou ilha, sou família, sou gente.  Sou tudo que eu posso ser, sem atrapalhar outro ser. Sou aquilo que se chama coragem, sou vaidade, sou aprendiz, sou criatura estranha, sou lama, sou livre, sou presa, sou pó... Mas não sou só, tenho muito de muitos. Pessoas de alma, às vezes com calma, mas muitas vezes com pressa. Pressa de fugir do pior que possa existir: o eu de cada um.
Tomara que meu espelho me diga sempre quem sou, sem deixar escapar o meu melhor valor... Aceito que posso muito mais que o meu ego pode ter: o verdadeiro amor. Amor sem vaidade, somente amor.

12 abril, 2011

Faça a sua parte


Eu explico: trabalhei em uma seguradora, mais precisamente no oitavo andar. Todos os dias quando eu entrava no elevador no térreo, que vinha do subsolo, eu cumprimentava as pessoas com um BOM DIA! Com exceção do “seu Oscar” – ascensorista - os demais nem sequer me olhavam. E de segunda a sexta-feira era o mesmo ritual e o mesmo “gelal”. Um dia o seu Oscar, me perguntou por que eu insistia em desejar bom dia, se ninguém me retribuía. Respondi: Faço a minha parte!
No dia seguinte, tive uma grata surpresa, mal coloquei os pés no elevador e todos juntos: - BOM DIA!

Aprendi

Aprendi que: 
Posso deixar algumas coisas para depois. 
E que também não posso deixar algumas coisas para depois. 
Que posso descansar ao meio de um turbilhão de coisas. 
Que posso te deixar descansar em mim. 
Que o importante é dizer a quem amo, o quanto amo.
Quem nem tudo depende de mim.
Que esperar o inesperado às vezes é o melhor fim.
Que nem tudo acaba, fica em um ponto novo para ressurgir: fé.
Que posso estender minha mão e tocar a mão de Deus.
Que não sou somente um eu, existem outros “eus” em cada um de nós.
Que o silêncio, fala tanto quanto o brado.
Aprendi mais de ti, quando esqueci um pouco de mim.
Que mesmo não te vendo, você vive aqui: lembrança.
Aprendi que posso errar e me perdoar.
Que tenho muito mais para agradecer do que pedir.
Aprendi que sou pensante, errante, mas posso ser feliz.
Aprendi que não sou nada sem você caminhando ao meu lado.