30 maio, 2011

Querer bem

Bem me quer
Quero-te bem
Não te custo
Só te quero
Onde te vejo
Admiro-te
Bom é quem te fez
Te fez perfeita
Tão pura
Tão crua
E tão bem
Por isso sempre
Bem te quero
E guardo em mim
O nosso bem
E falo de ti
O bem que tens
O que é bom
É o bem que fazes
Seja sempre assim:
O bem querer de querer bem.

23 maio, 2011

O pão e a coincidência

        Coincidências?

        Quando eu e meu irmão decidimos alugar uma casa e morar juntos, eu não imaginava que seria tão difícil. Nós dois morávamos com nossos tios e já estava na hora de cuidarmos de nossas vidas. Lá fomos nós, alugamos uma bela casinha, de um quarto, uma despensa onde fizemos nosso closet (não tínhamos dinheiro para o guarda- roupa), copa, cozinha, banheiro e um pequeno jardim. 
          Para conseguirmos locar esse imóvel, precisamos adiantar três meses de aluguel, comprar um fogão, um armário de cozinha, dois colchões, havia ainda outras despesas, como água, luz...  Era preciso reajustar, equilibrar muitas coisas. 
        Eu trabalhava numa seguradora ligada a um grande banco e não podia, em hipótese alguma, soltar cheque sem fundo, claro que não o faria, pois preso muito meu nome. Meu irmão trabalhava em uma oficina mecânica, onde ele almoçava e eu tinha vale refeição, que precisei vender para cobrir minha conta-corrente, sem o meu irmão saber é claro. 
        À noite comíamos pão (na verdade eu só comia pão) e apesar das dificuldades financeiras estávamos felizes, tudo era uma questão de tempo para colocarmos tudo em ordem. De manhã eu passava na padaria e comprava dois pães, que evidentemente era meu almoço.             Numa certa manhã, depois de comprar os pães, um garotinho me pediu dinheiro, pois estava com fome, eu respondi que não tinha, mas que lhe daria um pão; afinal eu sabia o que era fome. Um casal nos observava, mas não dei importância, segui para o trabalho. Era difícil todo dia dar uma desculpa para não sair com o pessoal para almoçar. Lá ficava eu com meus pães, nesse dia fiquei com apenas um, mas excepcionalmente não senti fome, nem tristeza.                         A coincidência (será?): chega um casal, o mesmo da padaria, pedindo informação sobre um determinado seguro, valor e a data. Eu não poderia ajudá-los, pois quem poderia fazê-lo era o meu chefe que saiu para almoçar e não retornaria, pois iria viajar, mas me deu um "clic" e me questionei, por que não? Entrei no sistema e passei todas as informações, afinal eles eram os beneficiários. Eles me agradeceram e saíram aparentemente felizes com a notícia. 
     No dia seguinte, não passei na padaria, decidi que na hora do almoço iria caminhar e comprar uma fruta, resolvi mudar meu cardápio. Voltando para o trabalho, encontrei em minha mesa uma cesta de pães de várias tamanhos, formas e um envelope fechado. Nele um bilhete que dizia:

Querida,

       Não é um pagamento e sim um agradecimento, vimos você na padaria dividir o pão com um garotinho e isso nos comoveu. E para a nossa surpresa,  logo depois é você quem nos informa  um assunto positivo, que dávamos como perdido, e não é só isso, sentimos em nossos corações, aceite! 

       Eu não sabia se ria ou chorava, um cheque nominal (nos dia de hoje seria mais ou menos R$ 5.000,00) e aquelas pães! Era como um sonho, uma visão. Em nenhum momento senti que não deveria aceitar. 
    Sai do trabalho um pouco mais cedo, passei no banco, fui ao supermercado, imaginem a compra que fiz. 
     Assim, com as contas em ordem, pude voltar à minha vida normal. Agradeci a Deus. Tentei várias vezes ligar para o casal, tínhamos o número na apólice, mas nunca consegui. 
       O tempo passou, e quando eu já havia me casado, fui com meu marido em um jantar, justamente na casa do "casal" (a coincidência de novo) –  senti a mesma alegria e   finalmente pude agradecer e contar a eles o quanto me ajudaram. Em nenhum momento eles aceitaram a devolução do dinheiro, mas aceitaram a minha eterna amizade.

    

20 maio, 2011


O que vale para mim é caminhar assim:
Ao lado do meu sonho.
Junto do meu amor.
Encanto vivido.
Encanto encantado.
Você é tudo para mim.
Junto de ti enfrento tempestades.
Nosso fim é estar assim:
Na mesma estrada.
Caminhando de braços dados.
Alpha Videos e Fotos

Meu coração



O meu coração é outro alguém dentro de mim. Ele tem vontade própria. Manda no meu querer... Faz e desfaz, ama sem medida, odeia numa proporção elevada e logo muda o sentimento, seduz, reduz, apanha, chora, implora e não se emenda.  Difícil de entender e não se cansa de sofrer. Pior é que me leva de jeito.  Se acelera, sinto, e se quase para, fico aflita. E vamos nós: eu e ele, sendo um só, mas dono dos meus sentimentos. Não tenho voz ativa, manda e desmanda.
 Meu coração é do tamanho do meu amor: imenso, é manso e sonhador. Não mando, mas obedeço, até se cansar. 

Foto: Marina Antunes Polak.




14 maio, 2011


Tanto fiz
Pouco desfiz
Tanto vi
Pouco ouvi
Muito quis
Pouco fiz
Para ter você sempre aqui...
Muito sofri
Às vezes fingi
Até menti
Mas não consegui
TER VOCÊ AQUI

13 maio, 2011

Os domingos dos meus pais

               Quando eu ainda era criança e via aquele olhar do meu pai para minha mãe, que  radiava cumplicidade, alegria.

           Aos domingos, quando  não ia pescar, logo após o almoço meus pais iam para o quarto, e só saiam  no final da tarde. 
       Não esqueço os semblantes de descanso "cansados" e felizes. 
        Meu pai, depois de um banho, ia assistir futebol na TV ou no campo. Minha mãe, toda feliz,  preparava o jantar (que era sobra do almoço) com alegria nos gestos, nas arrumações, até flores colocava à mesa. Mas o que mais me vem à cabeça é o olhar de amo entre os dois, que nutriam e radiavam uma harmonia santa em nossa casa.  
       Isso era todo os dias de domingo, mesmo porque as visitas, que eram pessoas próximas e sabiam do descanso deles e não se demoravam ou chegam depois das 16 horas, tempo suficiente...
    Todas as segundas eram um recomeço para aguardar o domingo, onde logo de manhã bem cedo começava um dia feliz.




10 maio, 2011

Sombra



A sombra de mim, sou eu no outro lado.
Lado fechado, retalhado, moldado.
Fechado para o outro.
Retalhado pela luz.
Moldado para vida, sem vida ter.
A sombra de mim.
Fecha-se em si.
Acompanha-me como fantasma.
Molda o meu molde, sem me vestir.
A sombra de mim é somente sobra.
Resto da minha figura sem cor.
Não ri, não fala, não vê...
Só se esconde e sem vida me acompanha.