17 janeiro, 2012

Aço


Acabrunha e não me deixa.
Aumenta minha covardia.
Sinto-me temulento.
Os pensamentos são desconexos.
Não há comando, não há licença.
Irrefletido, mal pensado.
Gasto, menor, ínfimo.
Mas não perdido, não caçado.
Talvez aprisionado.
Alento é o que preciso.
Aço é o que entrou em mim.
Não enternece, não derrete.
Choro sangue, choro medo.
Aço que espreme.
Acaba, afunda.
Meu grito no silêncio não fala.
Não ecoa, não sai.
Preso, peso.
Aço: dor no peito.



12 janeiro, 2012

Quase infinitivo


Às vezes meu mundo é grande, imenso,  porém cabe inteiro em mim. De vez em quando corto algumas fatias, noutra ARde na pressa para não sentir o amARgor, já em outro mastigo devagAR feito doce, saboreando, aproveitando o momento feliz.


Em outras vezes meu mundo é pequeno, porém não cabe em mim. Emendo, remendo, espremo... e mesmo assim não há meio de eternizAR, entrAR...

Mundo lindo ou ilusão?

Será o mundo, serei eu? Onde me farei existir? Para onde e como fugirei daqui?


Vou colorir minha estrada, fazer paredes encantadas.

Rir, ir...


AmAR, desARmar, ARte, ARticular...


Mundo mARavilhoso.

CaminhAR, encontrAR, respirAR, criAR, depois descansAR .  

ARmadilhas, escapAR.

ARmar, amAR,remAR.

LutAR, matAR.

ARmagedom.



05 janeiro, 2012

Pequena

Pequena
tão branca
tão linda,
Classificar-te
é fácil,
amar-te é verdadeiro.
Sua felicidade,
Também me faz feliz
pelo que és,
pelo que vive...
Na vida
seja o que quiser e
além das estrelas,
alcance os sonhos.
Nunca desista
de ser feliz.

Eu te amo.


Para Marina.

Um anjo...




           Hoje fui caminhar sem rumo, sem compromisso. Com o coração um tanto apertado. Sentei-me em uma praça cheia de árvores, por alguns momentos fechei os olhos e me desliguei do barulho, do vaivém de pessoas. Fiquei ali me vendo por dentro. Confesso que senti certa  uma saudade de não sei o quê.

               Comecei conversar com um anjo inventado. Falei das árvores, das pessoas que passavam apressadas, falei das minhas dores, medos, falei da minha inocência perdida. Fiquei um bom tempo no maior blá-blá-blá. Quando a uns cinco metros, um rapaz entrou na conversa elogiando meus cabelos, depois falou do tempo, não do clima, mas do tempo em que não damos a nós próprios e das amarguras que guardamos ao invés de adoçarmos o coração.

Falou ele:

– Estive fora, andei por caminhos distantes e como sempre observei a falta que fazemos de nós é igual em qualquer lugar. Chega a certa altura que perdemos nossa leveza e atropelamos nossos sentimentos. Ficamos mais velozes na questão julgamento, na questão egoísmo e totalmente cegos para o nosso bem maior.

    Fiquei refletindo e querendo continuar ouvindo aquela voz mélica e clara. O que será o nosso bem maior?

Continuou ele:

– Encontrei-me com uma amiga, a pouco tempo, linda, bem vestida, culta e totalmente infeliz. Deixei-a falar, mas eram somente palavras amargas. Depois a abracei, como se abraça uma criança com medo. Eu lhe disse que ainda havia tempo para preencher aquele vazio, aquela tristeza. Como me perguntou ela? Comece adoçando o coração.

– Você sabe em que ocasião somos donos de nós? Quando começamos arquitetar nossos planos. Claro que muitas vezes eles não serão, outras vezes mudaremos os traços, noutra, as pessoas mudarão por nós. E nem por isso ou aquilo, devemos deixar o nosso lado amadurecido esquecer-se da criança que existe em nós. A criança faz muitos planos, sem medo.
Toda aquela fala parecia não fazer sentido, mas eu queria continuar ouvindo.

– Depois de muitas andanças procuro um refúgio, de preferência uma igreja, sem nome, não há necessidade de denominação e sim necessidade do meu coração em encontrar com o Dono de tudo.  Transbordo minhas carências e me deixo envolver pelo momento de me ver por dentro e me transbordo de amor e gratidão.

Num súbito abri os olhos. Que coisa estranha, eu estava na praça e o rapaz onde está? Será que adormeci? 

Caminhei levemente, o vento balançava os galhos e as folhas das árvores. Meu coração estava leve e doce.

Ao longe vi o rapaz acenando e tão rápido se foi.






30 dezembro, 2011

Infinitas palavras

Infinito desejo 
Fazendo poemas
Fazendo palavras
Ouvindo poemas
Ouvindo palavras
Atingir
O alto
O baixo
O valioso...
Infinito desejo 
Fazendo canção
Alcançar
Atingir
Modificar...
Infinito desejo 
O meu amor
No poema
Na palavra
Na canção
Infinito desejo 
Palavras, pessoas, 
paixão, paz, perdão,
pérolas, pais, prosseguir,
pedir, partir, pão, poder,
persistir, presença, prumo,
poema, infinitas palavras.

29 dezembro, 2011

Tanto quanto

Tantas verdades criei,
mentiras contei.
Tantas dores suportei
morros escalei.
Tantos escorreguei,
medos superei.
Tantos gostar busquei,
coisas arrisquei.
Tantas tristezas chorei,
orações supliquei.
Tantos dias viverei,
talvez, não sei.
Tantas pessoas perdoei, 
outras magoei.
Tantas pessoas amarei,
poucas odiarei.


Tanto quanto poderei.
Tanto quanto serei.




26 dezembro, 2011

Ano novo...


O ano é novo, mas nós não. Os problemas continuam maiores ou menores; o trabalho é gratificante ou maçante; os estudos em nova fase ou repetentes; as contas fixas são as mesmas, só que com algumas a mais (compras de natal, IPTU, IPVA...), os juros, as taxas é que são maiores; o novo salário-mínimo é bem menor (e põe menor nisso) comparado com os salários dos políticos. O ano é novo e as “guerras” são antigas; a fome de igualdade, fraternidade são encanecidos, porém esquecidos.

O ano é novo, nós é que somos mais velhos.
O que é novo em mim é a esperança. Renovo-me em crer que tudo que se trata de sentir, possa vir a ser melhor.  

Luto com meu egoísmo, que é velho, por sinal, e cada ano é novo em força, vem mais gigante. Luto por me fazer calar com minha boca maior que eu, tenho mania de não ficar calada, o que muitas vezes magoo pessoas e até eu mesma. Luto para ser mais justa e a injustiça que vejo mundo afora é tão pujante. É como ventania levando as folhas, sem fazer força. Luto contra meus medos e se supero um, vem dois, três...  
Vou superando e errando tudo de novo. Entro no Ano Novo pedindo perdão e buscando sentir o novo em mim.
Mundo estranho!  Cadê o novo na união? Vamos acreditar que no novo tudo irá mudar. Porque novo é tempo de confiar. 

Ano Novo em idade velha, ano de 2012. O que o torna novo? Será o recomeçar? Que seja! Farei novos planos, terei mais confiança, farei novos amigos, colocarei mais amor no antigo amor, assim me sentirei nova no novo, de novo e quantas vezes eu puder chegar.



13 dezembro, 2011

Anti ou amor



De todas as incertezas que tenho, a única que não me deixa dúvida é o amor.

Eu posso não crer que tenho força, que não tenho condições de atravessar uma ponte, mas tenho certeza do amor que carrego. 
Não reclamo do peso, pois o amor é leve, não tenho medo porque o amor é coragem. Embora seja assim, o castigo que me tormenta é perder o valioso poder de olhar, de sentir o mesmo amor.  

Busco nos olhos alheio esse brilho, esse querer. Temo em não ver.

Muitas vezes agradeci a Deus por não ter passado pela perda de um amor, como se isso nunca fosse acontecer e aconteceu. Sei que Deus protelou e me consolou, mais ainda carrego o medo, meus amores são tantos. 
Às vezes gostaria de ser antiamor, ser como uma árvore. Mas,  talvez uma árvore ame tanto quanto eu, ama os galhos, as folhas, as raízes. Ser como pedra, dura, valente e de repente ela, mesmo sem alma, foi criada pelo o mesmo amor.

Tudo que foi criado, mesmo que não ame, foi feito pelo AMOR. E cadê o amor dos outros pelos outros?

Existem pessoas árvores, pessoas pedras.
Escolha o que ser, mas sempre com a certeza de que fomos feitos pelo mesmo amor.