30 dezembro, 2011

Infinitas palavras

Infinito desejo 
Fazendo poemas
Fazendo palavras
Ouvindo poemas
Ouvindo palavras
Atingir
O alto
O baixo
O valioso...
Infinito desejo 
Fazendo canção
Alcançar
Atingir
Modificar...
Infinito desejo 
O meu amor
No poema
Na palavra
Na canção
Infinito desejo 
Palavras, pessoas, 
paixão, paz, perdão,
pérolas, pais, prosseguir,
pedir, partir, pão, poder,
persistir, presença, prumo,
poema, infinitas palavras.

29 dezembro, 2011

Tanto quanto

Tantas verdades criei,
mentiras contei.
Tantas dores suportei
morros escalei.
Tantos escorreguei,
medos superei.
Tantos gostar busquei,
coisas arrisquei.
Tantas tristezas chorei,
orações supliquei.
Tantos dias viverei,
talvez, não sei.
Tantas pessoas perdoei, 
outras magoei.
Tantas pessoas amarei,
poucas odiarei.


Tanto quanto poderei.
Tanto quanto serei.




26 dezembro, 2011

Ano novo...


O ano é novo, mas nós não. Os problemas continuam maiores ou menores; o trabalho é gratificante ou maçante; os estudos em nova fase ou repetentes; as contas fixas são as mesmas, só que com algumas a mais (compras de natal, IPTU, IPVA...), os juros, as taxas é que são maiores; o novo salário-mínimo é bem menor (e põe menor nisso) comparado com os salários dos políticos. O ano é novo e as “guerras” são antigas; a fome de igualdade, fraternidade são encanecidos, porém esquecidos.

O ano é novo, nós é que somos mais velhos.
O que é novo em mim é a esperança. Renovo-me em crer que tudo que se trata de sentir, possa vir a ser melhor.  

Luto com meu egoísmo, que é velho, por sinal, e cada ano é novo em força, vem mais gigante. Luto por me fazer calar com minha boca maior que eu, tenho mania de não ficar calada, o que muitas vezes magoo pessoas e até eu mesma. Luto para ser mais justa e a injustiça que vejo mundo afora é tão pujante. É como ventania levando as folhas, sem fazer força. Luto contra meus medos e se supero um, vem dois, três...  
Vou superando e errando tudo de novo. Entro no Ano Novo pedindo perdão e buscando sentir o novo em mim.
Mundo estranho!  Cadê o novo na união? Vamos acreditar que no novo tudo irá mudar. Porque novo é tempo de confiar. 

Ano Novo em idade velha, ano de 2012. O que o torna novo? Será o recomeçar? Que seja! Farei novos planos, terei mais confiança, farei novos amigos, colocarei mais amor no antigo amor, assim me sentirei nova no novo, de novo e quantas vezes eu puder chegar.



13 dezembro, 2011

Anti ou amor



De todas as incertezas que tenho, a única que não me deixa dúvida é o amor.

Eu posso não crer que tenho força, que não tenho condições de atravessar uma ponte, mas tenho certeza do amor que carrego. 
Não reclamo do peso, pois o amor é leve, não tenho medo porque o amor é coragem. Embora seja assim, o castigo que me tormenta é perder o valioso poder de olhar, de sentir o mesmo amor.  

Busco nos olhos alheio esse brilho, esse querer. Temo em não ver.

Muitas vezes agradeci a Deus por não ter passado pela perda de um amor, como se isso nunca fosse acontecer e aconteceu. Sei que Deus protelou e me consolou, mais ainda carrego o medo, meus amores são tantos. 
Às vezes gostaria de ser antiamor, ser como uma árvore. Mas,  talvez uma árvore ame tanto quanto eu, ama os galhos, as folhas, as raízes. Ser como pedra, dura, valente e de repente ela, mesmo sem alma, foi criada pelo o mesmo amor.

Tudo que foi criado, mesmo que não ame, foi feito pelo AMOR. E cadê o amor dos outros pelos outros?

Existem pessoas árvores, pessoas pedras.
Escolha o que ser, mas sempre com a certeza de que fomos feitos pelo mesmo amor.

16 novembro, 2011

Corpo e alma


Dor do corpo dói menos que dor de alma
dor que sangra, inunda o lençol
cai no chão,
lava-se, limpa está.
Dor de alma sangra
até encharcar a pela, o couro.
Todas as dores no meu corpo
não é nada, sem o seu amor
na minha alma.
Nenhum grito tapa o que o
coração sente.
Nada substitui um gemido
sem dor e um amor sem
o calor de um corpo com alma.



Vivo


Pensei no amor
que não tive 
que não vivi
que foi
que levei
que criei
que guardei
que esqueci
que morreu.
Pensei no amor:
que tenho
que vivo
que carrego
que crio
que uso
que lembro
que vive em mim:
família.


Amoras doces

Hoje vou colher
doces amoras.
Depois das flores.
Nas cores vivas,
dos vivos andantes.
Do vento suave, da folha 
que caiu lentamente.
Do sol que veio, depois se foi.
Na água que lavou o fruto.
Hoje colherei amoras,
em forma de amor.
Amor com cor forte,
no abraço apertado,
no amargo da despedida,
esperando o doce retorno.
Hoje comerei amoras.
Amoras doces.


Estrada

Numa estrada existem paisagens, pedras, pessoas...
Numa trajetória é preciso ver a paisagem,
pular as pedras
e amar as pessoas.

Numa estrada é preciso colorir a paisagem,
pisar nas pedras
e amar as pessoas.

Numa estrada é preciso preservar a paisagem,
remover as pedras
e amar as pessoas.

Numa estrada é preciso respeitar a paisagem,
ignorar as pedras
e amar as pessoas.

Numa paisagem é preciso ver a vida,
das pedras fazer escadas
e amar as pessoas.

Numa estrada, acabam-se as paisagens.
Juntam-se pedras e
morrem as pessoas.