02 janeiro, 2021

Frio


Frio


O frio que mais congela

Não é o que entra pela janela

Não é a falta de cobertores

Nem a falta de aquecedores

 

É a palavra maldita e mal dita

É falta de abraço

Fria que ultrapassa

Qualquer geada

 

Roupa que não se usa

Fica bem em quem não tem

Sapato que te aperta

Aquece os pés de alguém

 

O frio que mais congela

É a estupidez de quem pode

E não faz nada por alguém

Pense, faça o bem.



Inverno em mim


Ouço o vento
e nele o encontro e
desencontro das folhas.
Quase uma oração
entoada pela força,
pela imensidão do vazio.
Vejo as folhas soltas
e meus pensamentos
também voam.
Levo-me no ar
e na prece te peço
para voltar.
Então meu coração
canta um ritmo antigo.
E com ele me deixo
sonhar.
Folhas ao vento
me lembram aquele alguém.
Aquele que não soube me amar.
Então, deixo ir como folhas ao vento.
Comigo ficou o frio da falta.
Da falta de amor.
Sem você sempre será inverno
em mim.

Sei lá

É dia e não tenho vontade de mais nada, a não ser viver.

Gosto de intensidade, de verdade. Se for pra ser feliz que seja por inteiro, se for para ser triste que seja de uma vez. Nada pela metade me agrada, nem laranja.

Algumas pessoas levaram muito de mim, mas não fui inteiro. Pensando bem: não levaram nada!

Como posso não sentir? Meu coração não é de pedra.

Algumas pessoas dão grande importância ao primeiro amor. Já eu dou ao último. O que não durou, não existiu, simples assim. 

Nada do que sinto é pouco, só não sei explicar. Às vezes sou mel, noutra sou fel, mas sempre eu mesma.

A ventania dos meus pensamentos é célere, não se prende. Talvez seja por isso que busco o equilíbrio em uma corda bamba. Talvez seja meu pensamento andando mais rápido do que eu. Talvez seja minha vida no lado errado de mim. Penso que ainda vou me achar.

Como dizer adeus sem sofrer? Quero viver!

Tenha consciência que em tudo e para tudo existe um espaço: dia – noite – vida – morte, riso – lágrima...

Aproveite para fazer a diferença aqui!



24 fevereiro, 2014

Maria Clara





                                                                                Maria Clara
     

       Faz um mês que estive numa consulta médica. Fui sem marcar horário, porque não estava me sentindo bem. Como sabia que iria ter que esperar levei um livro, não para ler, mas para não precisar conversar (não que eu não goste), mas porque este momento de minha vida, o bate-papo não seria espontâneo.

 Enquanto as pessoas que ali estavam liam revistas, falavam e teclava em seus celulares, eu fingia que lia o livro que estava em minhas mãos. Meus pensamentos estavam doloridos demais, tanto quanto meu corpo. Foi então que uma senhora entrou acompanhada de uma menina de touca azul, que cumprimentou a todos (poucos responderam). Ela sentou-se ao meu lado e se apresentou: – Oi, eu chamo Maria Clara e você? Respondi com meio sorriso. Ela perguntou se eu estava conseguindo entender o que estava lendo, pois o meu livro estava de ponta cabeça. Ri baixo e lhe disse que na verdade eu não estava tentando ler, apenas queria ficar “na minha”. Ela, sem mais nem menos, começou a me encher de perguntas.

A mãe da menina, que estava sentada do outro lado da sala, de vez em quando olhava em nossa direção e sorria, parecia triste, mas era uma mulher muito bonita, assim como Maria Clara.
    A secretária veio e nos disse que o médico realmente iria demorar a nos atender, pois estava cuidando de uma emergência, e nos alertou que, caso alguém quisesse remarcar para outro dia, podia acompanhá-la. Confesso que tive vontade, mas, por outro lado, já que eu estava ali, iria aguardar.

      Maria Clara perguntou se eu trabalhava, respondi que eu cuidava da minha casa. Ela falou inocentemente: – Cuidar da casa não é trabalho, é obrigação. Mas é bom, né? Porque ninguém cobra nada! (ela que pensa!).  Foi aí que ela me conquistou! Quando me dei conta estávamos conversando como amigas, embora nossa diferença de idade fosse grande, mas para ser/ter amigos basta existirmos.

Entre tantas perguntas que ela me fez, como qual a minha cor favorita, meu prato predileto, minha melhor amiga etc., ela me perguntou se eu sofria pela perda de alguém. Respondi que sim – do meu pai (nos difíceis momentos que tenho passado, sinto muito a falta dele. Ninguém saberia me abraçar como ele). Ela segurou minhas mãos e falou: – Quem a gente ama, nunca morre! Segurei minhas lágrimas e pensei que era bastante sabedoria para uma criança de sete anos. Contudo, pensando melhor, como alguém tão pequena poderia me dar lição de vida? Afinal, ela não sabia nada da vida, muito menos da minha. Para quebrar aquele momento estático, perguntei-lhe: – O que você quer ser quando crescer? Ela respondeu: – O mesmo que sou hoje – feliz! Todos que ali estavam nos olhavam com uma expectativa em mim. Eu lhe abracei como se abraçasse minha filha.

Maria Clara continuou me contando sobre ela: que tinha um irmão mais velho (que era adolescente) e que, ainda assim, era boa pessoa (resisti, mas não perguntei por que); que amava o Brian (seu cachorro, mesmo sendo velho); que amava desenhar nuvens (porque não precisava exatidão); sua cor preferida era o azul-céu; e que ela tinha o melhor pai e mãe de todo o mundo inteiro (exatamente com essas palavras), assim como você, porque os nossos são sempre os melhores, né?! Concordei com a cabeça e com o coração.

 

     O tempo que passei esperando ficou curto com a presença daquela menininha, que foi atendida antes de mim (eu tive que esperar mais meia hora). Quando ela e a mãe saíram do consultório, ela correu me abraçar disse: – Seja feliz! A mãe dela também me abraçou. Percebi que tremia e com a voz embargada me agradeceu (eu quem estava grata por ter conhecido Maria Clara). Senti vontade de pedir o telefone, mas não o fiz.

 

     Um mês depois, voltei ao médico para levar meus exames e, naquela mesma sala de espera (só que menos cheia, pois o médico estava no horário), pensei em Maria Clara. Decidi pedir à secretária o telefone. Com minha habitual educação, falei sobre aquele meu dia com Maria Clara, aquela adorável menina... A secretária não esperou eu terminar: – Ela morreu, sinto muito!

 

     Quando saí do consultório, olhei para o “azul-céu” com uma nuvem sem “exatidão”.  Chorei!








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28 janeiro, 2014

Estranheza



Estranheza

 

 

“Ando estranhamente estranha em relação ao estranho mundo em que vivo”.

 

Já vi amores pulcros sendo destruídos e como fumaça se desmancharem no ar. Fico me questionando quanto à promessa “até que a morte nos separe”, quando ninguém, aparentemente, tenha morrido. Como pode? Se, em tão pouco tempo, era dividido: companhia, carinho, afeto, amor, corpos, almas... Agora a divisão são os bens e a distância.

 

Vejo, vivi amizades que jurei (juramos) eternas. E a eternidade foi quebrada como vaso sem flor. Juramos um cuidado santo e a santidade foi castigada, como pecado, como crime pela separação.

Ando estranhando a fala das pessoas que se contradizem, que esquecem os valores, cortando laços com faca, com foice, com dentes.

Ando estranhando o clima, o tempo.

Acho estranho, irmãos de sangue não respeitarem um ao outro por opção de vida, quando o que deveria contar é apenas o amor.

Acho estranhos, os pais que esquecem que são pais e também são filhos de alguém.

Acho estranho, guerras, brigas por crenças, por jogos, por ambição.

Acho estranho perder alguém que já foi parte de nós, da nossa casa, da nossa história.

Quem foi? Quem era? O que sobrou?


Um estranho, apenas!






 

30 dezembro, 2013

Luto, luto




Luto, luto


         Bem na véspera do Natal, pessoas próximas perderam entes queridos e no lugar da festa, houve-se luto. Coloquei-me na dor da separação. A morte é uma separação física, emocional, real...

Fiquei pensando na definição de luto. Segundo o dicionário:

Pesar pelo falecimento de algum ente querido.

Roupa ou faixa, geralmente preta, que exprime esse pesar.

Tristeza profunda.

Ou ainda:

Luto, presente do indicativo do verbo lutar.

 

Quando eu ainda era criança, via a morte como quem vê a viagem de alguém, ou seja, a pessoa foi viajar para um lugar bonito. Ou simplesmente, a pessoa dormiu um sono muito pesado, eterno. 

Tive um irmão que morreu bebezinho, com oito meses, só me lembro de que fiquei feliz porque eu iria passear de carro.  Pouco entendia as lágrimas dos meus pais.  Quando já adulta entendi a perda.  Senti saudade da minha inocência. 

Por outro lado, luto todos os dias. Luto comigo mesma, com perdas pela morte, com perdas pela vida. Às vezes perdemos alguém sem ela morrer. “Este ano fiz algumas perguntas sobre perdas e não obtive respostas, mas é bem isso mesmo, algumas respostas não nos convêm”.

Perdi muito, quebrei coisas sem importância, como copos, pratos, mas quebrei também a cara e o coração. Perdi pessoas que dormiram o “sono profundo”, perdi pessoas que quebraram minha confiança, que quebraram um pedaço da louça em mim.

Enfim, a vida é luto, luto constante.

Sempre penso que “doemos” demais, damos muita importância para coisas que nos dão sem ao menos ter pedido:

Um amor que morreu, sem morrer de fato.

Uma traição de quem nos jurou fidelidade. 

Uma ideia errada, de quem não conhece a verdade. 

E o tempo passa, a dor diminui, às vezes até passa. Fica a saudade, fica a lembrança, fica o que você deixar ficar. 

O que desejo para todos, incluindo a mim: 

Viva o hoje, seja fiel. Todos terão o mesmo destino, sem exceção, portanto, ame, exagere apenas no amor, porque o luto é certo.


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28 outubro, 2013

Inteiro

Verdade, mentira


Somos, na maioria das vezes, pessoas dúbias em relação à verdade e à mentira.

 

Às vezes sabemos o porquê da dor, da tristeza, mas distorcemos a verdade e pintamos o que não existe. Bom seria não ser meio dono, meio amigo, meio amor... Na verdade, bom mesmo seria não ser nada ou assumir o papel pelo traço feito, pela verdade, pela mentira.

Não podemos simplesmente fazer de conta que o outro está fazendo tudo “errado” e que somos nós o “certo”.  Existe a minha verdade, existe a sua verdade e existe a verdade de quem nada sabe. A partir de quem nada sabe, tudo se transforma em dúvidas, fica como meia palavra, meia vida... E meia, nesse contexto, não é nada.

Quando contamos uma história e deixamos a verdade escondida, o ouvinte terá o direito de escolher a mentira que quiser.

Examinar o coração, esse é o caminho para contar verdades, para ter com o próximo a veracidade de uma amizade, de um amor. “meia” só no pé. Mas cuidado! Meias podem dar chulé.

Foto divulgação internet