02 janeiro, 2021
Sei lá
É dia e não tenho vontade de mais nada, a não ser
viver.
Gosto de intensidade, de verdade. Se for pra ser feliz que seja por inteiro, se for para ser triste que seja de uma vez. Nada pela metade me agrada, nem laranja.
Algumas pessoas levaram muito de mim, mas não fui inteiro. Pensando bem: não levaram nada!
Como posso não sentir? Meu coração não é de pedra.
Algumas pessoas dão grande importância ao primeiro amor. Já eu dou ao último. O que não durou, não existiu, simples assim.
Nada do que sinto é pouco, só não sei explicar. Às vezes sou mel, noutra sou fel, mas sempre eu mesma.
A ventania dos meus pensamentos é célere, não se prende. Talvez seja por isso que busco o equilíbrio em uma corda bamba. Talvez seja meu pensamento andando mais rápido do que eu. Talvez seja minha vida no lado errado de mim. Penso que ainda vou me achar.
Como dizer adeus sem sofrer? Quero viver!
Tenha consciência que em tudo e para tudo existe um espaço: dia –
noite – vida – morte, riso – lágrima...
Aproveite para fazer a diferença aqui!
24 fevereiro, 2014
Maria Clara
Faz um mês que estive numa consulta médica. Fui sem marcar horário, porque não estava me
sentindo bem. Como sabia que iria ter que esperar levei um livro, não para ler,
mas para não precisar conversar (não que eu não goste), mas porque este momento
de minha vida, o bate-papo não seria espontâneo.
Enquanto as pessoas que ali estavam liam
revistas, falavam e teclava em seus celulares, eu fingia que lia o livro que
estava em minhas mãos. Meus pensamentos estavam doloridos demais, tanto quanto
meu corpo. Foi então que uma senhora entrou acompanhada de uma menina de touca
azul, que cumprimentou a todos (poucos responderam). Ela sentou-se ao meu lado
e se apresentou: – Oi, eu chamo Maria Clara e você? Respondi com meio sorriso.
Ela perguntou se eu estava conseguindo entender o que estava lendo, pois o meu
livro estava de ponta cabeça. Ri baixo e lhe disse que na verdade eu não estava
tentando ler, apenas queria ficar “na minha”. Ela, sem mais nem menos, começou
a me encher de perguntas.
A mãe
da menina, que estava sentada do outro lado da sala, de vez em quando olhava em
nossa direção e sorria, parecia triste, mas era uma mulher muito bonita, assim
como Maria Clara.
A secretária veio e nos disse que o médico realmente iria demorar
a nos atender, pois estava cuidando de uma emergência, e nos alertou que, caso
alguém quisesse remarcar para outro dia, podia acompanhá-la. Confesso que tive
vontade, mas, por outro lado, já que eu estava ali, iria aguardar.
Maria Clara perguntou se eu trabalhava, respondi que eu cuidava
da minha casa. Ela falou inocentemente: – Cuidar da casa não é trabalho, é
obrigação. Mas é bom, né? Porque ninguém cobra nada! (ela que pensa!). Foi aí que ela me conquistou! Quando me dei
conta estávamos conversando como amigas, embora nossa diferença de idade fosse
grande, mas para ser/ter amigos basta existirmos.
Entre tantas perguntas que ela me fez, como qual a
minha cor favorita, meu prato predileto, minha melhor amiga etc., ela me perguntou
se eu sofria pela perda de alguém. Respondi que sim – do meu pai (nos difíceis
momentos que tenho passado, sinto muito a falta dele. Ninguém saberia me
abraçar como ele). Ela segurou minhas mãos e falou: – Quem a gente ama, nunca
morre! Segurei minhas lágrimas e pensei que era bastante sabedoria para uma
criança de sete anos. Contudo, pensando melhor, como alguém tão pequena poderia
me dar lição de vida? Afinal, ela não sabia nada da vida, muito menos da minha.
Para quebrar aquele momento estático, perguntei-lhe: – O que você quer ser quando
crescer? Ela respondeu: – O mesmo que sou hoje – feliz! Todos que ali estavam
nos olhavam com uma expectativa em mim. Eu lhe abracei como se abraçasse minha
filha.
Maria Clara continuou me contando sobre ela: que
tinha um irmão mais velho (que era adolescente) e que, ainda assim, era boa
pessoa (resisti, mas não perguntei por que); que amava o Brian (seu cachorro,
mesmo sendo velho); que amava desenhar nuvens (porque não precisava exatidão);
sua cor preferida era o azul-céu; e que ela tinha o melhor pai e mãe de todo o
mundo inteiro (exatamente com essas palavras), assim como você, porque os nossos
são sempre os melhores, né?! Concordei com a cabeça e com o coração.
O tempo que passei esperando ficou curto com a presença daquela
menininha, que foi atendida antes de mim (eu tive que esperar mais meia hora).
Quando ela e a mãe saíram do consultório, ela correu me abraçar disse: – Seja
feliz! A mãe dela também me abraçou. Percebi que tremia e com a voz embargada
me agradeceu (eu quem estava grata por ter conhecido Maria Clara). Senti
vontade de pedir o telefone, mas não o fiz.
Um mês depois, voltei ao médico para levar meus exames e, naquela
mesma sala de espera (só que menos cheia, pois o médico estava no horário),
pensei em Maria Clara. Decidi pedir à secretária o telefone. Com minha habitual
educação, falei sobre aquele meu dia com Maria Clara, aquela adorável menina...
A secretária não esperou eu terminar: – Ela morreu, sinto muito!
Quando saí do consultório, olhei para o “azul-céu” com uma nuvem
sem “exatidão”. Chorei!
28 janeiro, 2014
Estranheza
“Ando
estranhamente estranha em relação ao estranho mundo em que vivo”.
Já vi
amores pulcros sendo destruídos e como fumaça se desmancharem no ar. Fico me
questionando quanto à promessa “até que a morte nos separe”, quando ninguém,
aparentemente, tenha morrido. Como pode? Se, em tão pouco tempo, era dividido:
companhia, carinho, afeto, amor, corpos, almas... Agora a divisão são os bens e
a distância.
Vejo,
vivi amizades que jurei (juramos) eternas. E a eternidade foi quebrada como
vaso sem flor. Juramos um cuidado santo e a santidade foi castigada, como
pecado, como crime pela separação.
Ando
estranhando a fala das pessoas que se contradizem, que esquecem os valores,
cortando laços com faca, com foice, com dentes.
Ando
estranhando o clima, o tempo.
Acho
estranho, irmãos de sangue não respeitarem um ao outro por opção de vida,
quando o que deveria contar é apenas o amor.
Acho estranhos,
os pais que esquecem que são pais e também são filhos de alguém.
Acho
estranho, guerras, brigas por crenças, por jogos, por ambição.
Acho
estranho perder alguém que já foi parte de nós, da nossa casa, da nossa
história.
Quem foi?
Quem era? O que sobrou?
Um
estranho, apenas!
10 janeiro, 2014
30 dezembro, 2013
Luto, luto
Luto,
luto
Bem
na véspera do Natal, pessoas próximas perderam entes queridos e no lugar da
festa, houve-se luto. Coloquei-me na dor da separação. A morte é uma separação
física, emocional, real...
Fiquei
pensando na definição de luto. Segundo o dicionário:
Pesar pelo falecimento de algum ente
querido.
Roupa ou faixa, geralmente preta, que
exprime esse pesar.
Tristeza profunda.
Ou ainda:
Luto, presente do indicativo do verbo
lutar.
Quando eu
ainda era criança, via a morte como quem vê a viagem de alguém, ou seja, a
pessoa foi viajar para um lugar bonito. Ou simplesmente, a pessoa dormiu um
sono muito pesado, eterno.
Tive um irmão
que morreu bebezinho, com oito meses, só me lembro de que fiquei feliz porque
eu iria passear de carro. Pouco entendia
as lágrimas dos meus pais. Quando já adulta entendi a perda. Senti saudade da minha inocência.
Por outro
lado, luto todos os dias. Luto comigo mesma, com perdas pela morte, com perdas
pela vida. Às vezes perdemos alguém sem ela morrer. “Este ano fiz algumas
perguntas sobre perdas e não obtive respostas, mas é bem isso mesmo, algumas
respostas não nos convêm”.
Perdi muito,
quebrei coisas sem importância, como copos, pratos, mas quebrei também a cara e
o coração. Perdi pessoas que dormiram o “sono profundo”, perdi pessoas que
quebraram minha confiança, que quebraram um pedaço da louça em mim.
Enfim, a vida
é luto, luto constante.
Sempre penso
que “doemos” demais, damos muita importância para coisas que nos dão sem ao
menos ter pedido:
Um amor que morreu, sem morrer de
fato.
Uma traição de quem nos jurou
fidelidade.
Uma ideia errada, de quem não conhece a verdade.
E o tempo
passa, a dor diminui, às vezes até passa. Fica a saudade, fica a lembrança,
fica o que você deixar ficar.
O que desejo para todos, incluindo a mim:
Viva o hoje, seja fiel. Todos terão o mesmo
destino, sem exceção, portanto, ame, exagere apenas no amor, porque o luto é
certo.
Pixabay
28 outubro, 2013
Inteiro
Verdade, mentira
Somos, na maioria das vezes, pessoas dúbias em relação à verdade e à mentira.
Às vezes sabemos o porquê da dor, da
tristeza, mas distorcemos a verdade e pintamos o que não existe. Bom seria não
ser meio dono, meio amigo, meio amor... Na verdade, bom mesmo seria não ser
nada ou assumir o papel pelo traço feito, pela verdade, pela mentira.
Não podemos simplesmente fazer de conta que o outro está fazendo tudo “errado” e que somos nós o “certo”. Existe a minha verdade, existe a sua verdade e existe a verdade de quem nada sabe. A partir de quem nada sabe, tudo se transforma em dúvidas, fica como meia palavra, meia vida... E meia, nesse contexto, não é nada.
Quando contamos uma história e deixamos a verdade escondida, o ouvinte terá o direito de escolher a mentira que quiser.
Examinar o coração, esse é o caminho
para contar verdades, para ter com o próximo a veracidade de uma amizade, de um
amor. “meia” só no pé. Mas cuidado! Meias podem dar chulé.
Alegrias menores
Poucas pessoas conhecem a grande alegria. Esse estado de ficar fora de “si” e fora do tempo, colhido numa emoção avassalante. Mas há alegrias menores para todos nós, por mais monótona que sejam as nossas vidas.
Alguma coisa vista, sentida e assim que se agitam dentro de nós, animando nosso olhar sobre as adversidades, tristezas. Seja qual for, dê a chance de perceber que pequenas coisas fazem o coração sorrir: Um sol poente, flores no jardim, pássaros cantarolando, criança brincando, um abraço, uma palavra. Alguma coisa que perfaça nosso pequeno encanto e assim abrimos barreiras para grandes coisas.
Só merecem coisas
grandes quem primeiro vê, sente, faz... coisas pequenas.


