08 fevereiro, 2013

O mundo sem nós


Sem você aqui
Não existimos nós
Sem você, sou metade de mim
Como metade não faz, não vivo

Sem você 
é impossível ser
O mundo sem nós
Não existe, não tem por que

O mundo oco
Sem pouco
Sem vazão, sem razão
Nem pedra, nem pão

O mundo sem nós
É só um chão áspero
Sem o azul dos teus olhos
Sem o azul do céu

O céu escureceu 
Não me vale estar sem você
O meu mundo acabou
O silêncio que existe sem sua voz

Calou-me.





 







02 janeiro, 2013

Contagem

 

 

 

Passamos a vida contando. Contando histórias, verdades, mentiras; contando grana, contando a falta de grana; contando o que queríamos ou não; contando estrelas; contando sonhos; contando; contando... Contamos as somas, as perdas.

Contamos quantos dias faltam para uma determinada data, quantos dias faltam para (re)encontrar alguém.

        Existem aquelas coisas que contamos várias vezes porque nos fazem bem e existem aquelas que não contamos para ninguém. 

Contamos quantas páginas faltam para acabar um livro; contamos a cena de um filme que gostamos.

Contamos com as bênçãos de Deus em nossas vidas; contamos para Deus nossas vidas, como se Ele não soubesse. Mas esse contar é como acreditar, que contando, as coisas vão melhorar.

Contamos o nascimento, a morte, os dias. Contamos o que nos contam; contamos o que vemos e o que não sabemos. 

Uns contam o terço, outros contam estrelas, outros contam pedras.

Muitas vezes contamos a ofensa e esquecemo-nos de contar a generosidade; muitas vezes contamos o que damos e esquecemo-nos de contar o que ganhamos. 

Contamos grandeza e esquecemos que temos muitas, muitas fraquezas. 

Desde muito cedo aprendemos a contar; contar quem são nossos pais, contar nossa idade, contar o que queremos ser quando crescer, contar o que queremos ter.

Será que contamos para as pessoas o quanto elas são importantes na nossa contagem de bem-querer?

Estou aqui contando o quanto as horas para te ver.









17 dezembro, 2012

O tamanco


Como a maioria das pessoas fazem no final do ano, nós do Caap também fizemos: saímos para jantar. Entrei emcasa correndo, tomei banho, passei meu perfume predileto, peguei uma blusa emprestada da minha filha, coloquei uma calça jeans, que é comprida demais e não fica bem com sapato baixo. Catei um tamanco que tenho há pelo menos 10 anos – sim, tudo isso!–, mas é lindo, pois me deixa mais alta e, claro, isso favorece qualquer mulher. O incrível é que antes ele me machucava, mas agora não, pelo contrário, me dava uma sensação de leveza, parecia que eu pisava em nuvens. 

Como é bom estarmos entre amigos, ainda mais para comer, rir... E lá estavam minhas meninas: Marina, Simone e Ana Paula, e conosco estavam também meu marido, Miguel, o Altinho, digo Valtinho, Edilson e um amigo da Simone.

Do estacionamento para o salão do restaurante tem uma escada que subi tranquilamente com meu tamanco lindo.

Conversa vai, conversa vem, fomos nos servir no buffet e novamente meu caminhar foi tranquilo, leve, tipo assim Gisele Bündchen.

Logo depois de comermos chamei as meninas para irmos ao toalete e a Ana Paula, com aquele par de "zóios" que tem, disse calmamente:

 Dri, seu tamanco está descascando! Saindo a cor!

Quando abaixei os olhos vi aquilo. Meu Deus! Parecia que eu havia chutado todas as pedras do caminho de uma vida inteira. Medonhamente meu tamanco estava se desfazendo. Parecia que eu andava e eles afundavam (essa era a leveza que eu antes sentia). Saiam lasquinhas pelo chão.

Pedi para uma amiga ficar na minha frente e a outra atrás, como se isso escondessem os meus pés. Sabe aquela sensação que todo mundo ali olhava para mim, ou pior, para os tamancos? Eu, logo eu, que prezo os sapatos. Como pode acontecer isso?

Não preciso dizer quanto minhas amigas riram. Mas eu que não sou de entregar as chuteiras, digo os tamancos, aproveitei o resto da noite.

Um brinde aos amigos e aos sapatos!





06 dezembro, 2012

Corrente Literária: Saudade

Corrente Literária: Saudade

 

O que faço com essa ausência, com a falta de você?

Onde escondo minha dor?

 

Espio pela janela o jardim sendo tomado pelo mato e te vejo ali, fincado como planta sem vida aparente, mas com raízes profundas na terra, raízes profundas em mim. O soluço trava minhas palavras, apenas meus pensamentos falam. Falam coisas que não falamos, coisas que a vida nos deu tempo para ser e esquecemo-nos de dizer, esquecemos que a vida a qualquer hora pode ser substituída pela não vida. Por mais que eu tenha feito; dito, te amei pouco, fiz muito pouco tamanho o seu merecimento. Hoje me pergunto: por quê?  Não tenho contrição, mas tenho falta dos momentos em que sua palavra me apoiava, me repreendia, me alavancava, alcançava...

 

Muitas vezes em momentos decisivos, procuro pensar como você pensava e como agiria e isso me causa um suplício maior que eu, simplesmente porque não penso como ti, não com a sua sabedoria, com o seu jeito santo de olhar e ver, falar e sentir. Muitas vezes procuro no outro um pouco da sua aparência, mas nada se compara com sua beleza, nada e ninguém chegam naquilo que você foi, meu pai.

Sinto em minha boca um gosto rascante e um aperto no peito quando me lembro de que a cabeceira da mesa de jantar está vazia. Penso que voltar pra casa, nossa casa, é sentir que ela é muito maior sem você e muito pequena sem nós.

Saudade é a pessoa ficando mais longe e a dor ficando mais perto.




01 novembro, 2012

Corrente literária: O que a noite nos reserva? - Solidão -



 

 

Quando você se foi e me deixou a pé na estrada empoeirada, o sol já se punha na baixada da montanha e a lua sorridente mostrava que estava pronta para se apresentar, embora fosca, mas grande, muito maior que eu, muito mais dona da situação. Fiquei com a mudança das nuances.

Pensei o que fazer quando não há o que fazer, somente observar o quão forte a noite me faz. Desatei meu riso cínico com os cabelos tão soltos quanto eu. Conforme a noite ia se instalando, minha sombra ia aumentando, parecendo prússica de tão ácida, a única semelhança era a imensidão do silêncio.

Ninguém aparecia, ninguém me via; vaguei feito assombração. Cansei, parei em uma curva, lamentei por não existir contramão.  Não existiam marcas de ir e vir, nenhuma sugestão. Ainda assim, à noite na minha companhia, tão minha, tão eu, parecíamos únicos. Desde então, à noite me reserva solidão.  Uma solidão a dois, eu e ela, numa cumplicidade calada, mas falada no meu ínfimo. 

Vi-me como sou, sem retentiva, mas tão acessível ao meu próprio coração, com uma certeza que posso passar o dia esquecendo que você não me espera, mas a noite será minha insólita ilusão, talvez porque eu queira ser a sua espera, talvez porque à noite abafo meu grito ou derramo as cores de fúcsias.

 

Minha esperança é que a noite nos reserve o mesmo pensamento:

Que você pense em nós.


Foto divulgação internet

22 outubro, 2012

O que vale a pena ser - Corrente Literária


 

 

                  Acordo sempre em cima da hora e lá começa a correria, a rotina. Quase sempre é a mesma ordem, a mesma sensação de fazer, fazer... E aquele vazio de falta tempo, falta energia. 

Dia outro, outro dia e os acontecimentos se acumulam nas impressões que dei ou me deram. Talvez haja sobras, talvez haja falta, mas que sempre haja a mesma sentença: o que vale ser é ser o que se é. Ora otimista, conquistador, verdadeiro, guerreiro, crente... Ora pessimista, inconquistável, falso, fraco, descrente. Onde é necessários tirar de dentro um exército de muitos ‘eus’ para prosseguir na usança vida. Usar o lado afame de ganhar o contento do tempo e com esse mesmo tempo se aprende a conviver.

 

                Uso caras, uso bocas, uso alma, uso corpo. Uso e abuso do que posso, sem medir, nem invadir o espaço alheio. Recomeço sabendo que vez ou outra o mundo vira de ponta cabeça, cai-se o juízo, a certeza.

 Adormeço, esqueço e acordo em cima da hora... E faço dessa rotina o hábito bom de viver, porque mesmo sendo repetição tiro a graça do sem graça; coloco cor no cinza, invento que sou melhor do que pareço e credito e acredito no modo de todo ser, ser. 

 

                  Dou à vida a chance de me surpreender com tudo que vale a pena. Mereço!


Foto divulgação internet

17 setembro, 2012

FOTOS: divulgação internet
Algumas pessoas dão grande importância ao primeiro amor, já eu dou ao último. O que não durou, não existiu, simples assim.
Falo tanto que, quando me calo, falo por dentro.
Somente Deus faria tamanho espetáculo.
Seu carinho me deixa mais leve e com isso me sinto gigante.
Pra você desenho uma noite com estrelas, para que o seu dia seja sempre iluminado...