09 janeiro, 2013
02 janeiro, 2013
Contagem
Passamos a vida contando. Contando histórias,
verdades, mentiras; contando grana, contando a falta de grana; contando o que
queríamos ou não; contando estrelas; contando sonhos; contando; contando... Contamos as somas, as perdas.
Contamos quantos dias faltam para uma
determinada data, quantos dias faltam para (re)encontrar alguém.
Existem aquelas coisas que contamos várias vezes porque nos fazem bem e existem aquelas que não contamos para ninguém.
Contamos quantas páginas faltam para
acabar um livro; contamos a cena de um filme que gostamos.
Contamos com as bênçãos de Deus em
nossas vidas; contamos para Deus nossas vidas, como se Ele não soubesse. Mas
esse contar é como acreditar, que contando, as coisas vão melhorar.
Contamos o nascimento, a morte, os dias. Contamos o que nos contam; contamos o que vemos e o que não sabemos.
Uns contam o terço, outros contam estrelas,
outros contam pedras.
Muitas vezes contamos a ofensa e esquecemo-nos de contar a generosidade; muitas vezes contamos o que damos e esquecemo-nos de contar o que ganhamos.
Contamos grandeza e esquecemos que temos muitas, muitas fraquezas.
Desde muito cedo aprendemos a contar; contar quem são nossos pais, contar nossa idade, contar o que queremos ser quando crescer, contar o que queremos ter.
Será que contamos
para as pessoas o quanto elas são importantes na nossa contagem de bem-querer?
Estou aqui contando o
quanto as horas para te ver.
17 dezembro, 2012
O tamanco
Como a maioria das pessoas fazem no final do ano, nós do Caap também fizemos: saímos para jantar. Entrei emcasa correndo, tomei banho, passei meu perfume predileto, peguei uma blusa emprestada da minha filha, coloquei uma calça jeans, que é comprida demais e não fica bem com sapato baixo. Catei um tamanco que tenho há pelo menos 10 anos – sim, tudo isso!–, mas é lindo, pois me deixa mais alta e, claro, isso favorece qualquer mulher. O incrível é que antes ele me machucava, mas agora não, pelo contrário, me dava uma sensação de leveza, parecia que eu pisava em nuvens.
Como
é bom estarmos entre amigos, ainda mais para comer, rir... E lá estavam minhas
meninas: Marina, Simone e Ana Paula, e conosco estavam também meu marido,
Miguel, o Altinho, digo Valtinho, Edilson e um amigo da Simone.
Do
estacionamento para o salão do restaurante tem uma escada que subi
tranquilamente com meu tamanco lindo.
Conversa
vai, conversa vem, fomos nos servir no buffet e novamente meu caminhar foi
tranquilo, leve, tipo assim Gisele Bündchen.
Logo
depois de comermos chamei as meninas para irmos ao toalete e a Ana Paula, com
aquele par de "zóios" que tem, disse calmamente:
– Dri, seu tamanco está descascando! Saindo a cor!
Quando
abaixei os olhos vi aquilo. Meu Deus! Parecia que eu havia chutado todas as
pedras do caminho de uma vida inteira. Medonhamente meu tamanco estava se
desfazendo. Parecia que eu andava e eles afundavam (essa era a leveza que eu
antes sentia). Saiam lasquinhas pelo chão.
Pedi para uma amiga ficar na minha frente e a outra atrás, como se isso escondessem os meus pés. Sabe aquela sensação que todo mundo ali olhava para mim, ou pior, para os tamancos? Eu, logo eu, que prezo os sapatos. Como pode acontecer isso?
Não
preciso dizer quanto minhas amigas riram. Mas eu que não sou de entregar as
chuteiras, digo os tamancos, aproveitei o resto da noite.
Um
brinde aos amigos e aos sapatos!
06 dezembro, 2012
Corrente Literária: Saudade
O que faço
com essa ausência, com a falta de você?
Onde
escondo minha dor?
Espio pela
janela o jardim sendo tomado pelo mato e te vejo ali, fincado como planta sem
vida aparente, mas com raízes profundas na terra, raízes profundas em mim. O
soluço trava minhas palavras, apenas meus pensamentos falam. Falam coisas que
não falamos, coisas que a vida nos deu tempo para ser e esquecemo-nos de dizer,
esquecemos que a vida a qualquer hora pode ser substituída pela não vida. Por
mais que eu tenha feito; dito, te amei pouco, fiz muito pouco tamanho o seu
merecimento. Hoje me pergunto: por quê? Não tenho contrição, mas
tenho falta dos momentos em que sua palavra me apoiava, me repreendia, me
alavancava, alcançava...
Muitas
vezes em momentos decisivos, procuro pensar como você pensava e como agiria e
isso me causa um suplício maior que eu, simplesmente porque não penso como ti,
não com a sua sabedoria, com o seu jeito santo de olhar e ver, falar e sentir.
Muitas vezes procuro no outro um pouco da sua aparência, mas nada se compara
com sua beleza, nada e ninguém chegam naquilo que você foi, meu pai.
Sinto em
minha boca um gosto rascante e um aperto no peito quando me lembro de que a
cabeceira da mesa de jantar está vazia. Penso que voltar pra casa, nossa casa,
é sentir que ela é muito maior sem você e muito pequena sem nós.
Saudade é
a pessoa ficando mais longe e a dor ficando mais perto.
01 novembro, 2012
Corrente literária: O que a noite nos reserva? - Solidão -
Quando você se foi e me deixou a pé
na estrada empoeirada, o sol já se punha na baixada da montanha e a lua
sorridente mostrava que estava pronta para se apresentar, embora fosca, mas
grande, muito maior que eu, muito mais dona da situação. Fiquei com a mudança
das nuances.
Pensei o que fazer quando não há o
que fazer, somente observar o quão forte a noite me faz. Desatei meu riso
cínico com os cabelos tão soltos quanto eu. Conforme a noite ia se instalando,
minha sombra ia aumentando, parecendo prússica de tão ácida, a única semelhança era a imensidão do silêncio.
Ninguém aparecia, ninguém me via;
vaguei feito assombração. Cansei, parei em uma curva, lamentei por não existir
contramão. Não existiam marcas de ir e
vir, nenhuma sugestão. Ainda assim, à noite na minha companhia, tão minha, tão
eu, parecíamos únicos. Desde então, à noite me reserva solidão. Uma solidão a dois, eu e ela, numa
cumplicidade calada, mas falada no meu ínfimo.
Vi-me como sou, sem retentiva, mas
tão acessível ao meu próprio coração, com uma certeza que posso passar o dia
esquecendo que você não me espera, mas a noite será minha insólita ilusão,
talvez porque eu queira ser a sua espera, talvez porque à noite abafo meu grito
ou derramo as cores de fúcsias.
Minha esperança é que a noite nos
reserve o mesmo pensamento:
Que você pense em nós.
22 outubro, 2012
O que vale a pena ser - Corrente Literária
Acordo
sempre em cima da hora e lá começa a correria, a rotina. Quase sempre é a mesma
ordem, a mesma sensação de fazer, fazer... E aquele vazio de falta tempo, falta
energia.
Dia outro, outro dia e os acontecimentos se acumulam nas impressões que
dei ou me deram. Talvez haja sobras, talvez haja falta, mas que sempre haja a
mesma sentença: o que vale ser é ser o que se é. Ora otimista, conquistador,
verdadeiro, guerreiro, crente... Ora pessimista, inconquistável, falso, fraco,
descrente. Onde é necessários tirar de dentro um exército de muitos ‘eus’ para
prosseguir na usança vida. Usar o lado afame de ganhar o contento do tempo e
com esse mesmo tempo se aprende a conviver.
Uso caras, uso bocas, uso alma, uso corpo. Uso e abuso do que posso, sem
medir, nem invadir o espaço alheio. Recomeço sabendo que vez ou outra o mundo
vira de ponta cabeça, cai-se o juízo, a certeza.
Adormeço,
esqueço e acordo em cima da hora... E faço dessa rotina o hábito bom de
viver, porque mesmo sendo repetição tiro a graça do sem graça; coloco cor no
cinza, invento que sou melhor do que pareço e credito e acredito no modo de
todo ser, ser.
Dou à vida a chance de me surpreender com tudo que vale a pena.
Mereço!
17 setembro, 2012
14 setembro, 2012
Geladeira
Já ultrapassei os limites do que sempre
acreditei, fingindo que nunca me importei.
Contei até os minutos para te ver,
mesmo querendo te esquecer.
Já listei os seus defeitos na porta
da geladeira.
Já fiz de conta que sou a própria geladeira.
Beijei os seus beijos de olhos
abertos,
escondendo meus medos incertos.
Já morri várias vezes de ciúmes.
Outras vezes criei vaga-lumes,
Pensando que assim brilharia em ti
e na verdade enganei a mim.
Mas o que fazer quando o
coração
é mais forte que a razão?
Ah! Um dia aprendo a inversão
e lhe trocarei...
Por uma nova geladeira.








