28 outubro, 2013

Alegrias menores


Poucas pessoas conhecem a grande alegria. Esse estado de ficar fora de “si” e fora do tempo, colhido numa emoção avassalante. Mas há alegrias menores para todos nós, por mais monótona que sejam as nossas vidas.

Alguma coisa vista, sentida e assim que se agitam dentro de nós, animando nosso olhar sobre as adversidades, tristezas. Seja qual for, dê a chance de perceber que pequenas coisas fazem o coração sorrir: Um sol poente, flores no jardim, pássaros cantarolando, criança brincando, um abraço, uma palavra. Alguma coisa que perfaça nosso pequeno encanto e assim abrimos barreiras para grandes coisas.

 

Só merecem coisas grandes quem primeiro vê, sente, faz... coisas pequenas. 





18 julho, 2013

Corrente Literária: "Amor, o que é para você?"

 

Eu te Amo!


Tudo acaba, de uma maneira ou de outra.

Tudo se desfaz e só fica o que realmente existe, o sentimento...

Você existe até morrer, depois ficará o que você mostrou ser.

O corpo acaba, a alma fica em algum lugar...

Onde estará o seu melhor? Onde ficará a sua lembrança?

Tenho esperança de sempre existir no coração...

 

Quando tudo terminar estarei nas palavras que escrevi, nos atos
que cometi, no que pude demonstrar a ti...
Na memória de um coração que me amou sem nenhuma explicação e
isso é o que me fez mais feliz, pude ser o que sempre quis...
Talvez mais do que eu merecia, talvez menos do que podia, ainda
assim escrevi minha história...


Escrevi em sua memória um sentimento que  supriu a minha
existência, minha carência...
Escrevi em minha memória o amor que sempre terei por ti, mesmo
que um de nós não estejamos mais aqui...
Não me julgue pelo que te digo, um dia não seremos mais...
Só seremos aquilo que sempre dizemos hoje:


Eu te amo!


* Para você, Miguel, meu amor sem fim.
Minha melhor definição de amor: amar.

 

 

Publicado: Cada dia uma poesia - Litteris Editora/2012.



27 maio, 2013

Flor em sendo






Há tanta dor que o mundo parece pequeno, muito pequeno para que cesse, para que exista mais espaço. 

Para onde quer que eu olhe, o cinza continua. Não vejo cores, não sinto amores, não me caibo em nenhum jardim, não vejo mão estendida, nem ouço o que preciso ouvir. 

Busco a aliança em um céu coberto de fumaça, de calcinado, tão típico de quem perdeu mais do que o material, de quem perdeu o chão. 

Agarro-me em um fio tão fino, quase invisível aos olhos, quase irreal, mas minha única esperança é que seja apenas um sonho. Daqui há pouco iriei acordar.

Chamo-me pelo meu nome, falando como se falasse com outra pessoa, mostrando-me que ainda existo. Que ainda aguento o remato, que ainda não estou nula. 

De verdade, grito com palavras sem sentido, mas sentindo cada uma, como se ecoasse a confiança que precisa florescer em mim. 

 

Preciso florescer mesmo entre os espinhos.



08 fevereiro, 2013

O mundo sem nós


Sem você aqui
Não existimos nós
Sem você, sou metade de mim
Como metade não faz, não vivo

Sem você 
é impossível ser
O mundo sem nós
Não existe, não tem por que

O mundo oco
Sem pouco
Sem vazão, sem razão
Nem pedra, nem pão

O mundo sem nós
É só um chão áspero
Sem o azul dos teus olhos
Sem o azul do céu

O céu escureceu 
Não me vale estar sem você
O meu mundo acabou
O silêncio que existe sem sua voz

Calou-me.





 







02 janeiro, 2013

Contagem

 

 

 

Passamos a vida contando. Contando histórias, verdades, mentiras; contando grana, contando a falta de grana; contando o que queríamos ou não; contando estrelas; contando sonhos; contando; contando... Contamos as somas, as perdas.

Contamos quantos dias faltam para uma determinada data, quantos dias faltam para (re)encontrar alguém.

        Existem aquelas coisas que contamos várias vezes porque nos fazem bem e existem aquelas que não contamos para ninguém. 

Contamos quantas páginas faltam para acabar um livro; contamos a cena de um filme que gostamos.

Contamos com as bênçãos de Deus em nossas vidas; contamos para Deus nossas vidas, como se Ele não soubesse. Mas esse contar é como acreditar, que contando, as coisas vão melhorar.

Contamos o nascimento, a morte, os dias. Contamos o que nos contam; contamos o que vemos e o que não sabemos. 

Uns contam o terço, outros contam estrelas, outros contam pedras.

Muitas vezes contamos a ofensa e esquecemo-nos de contar a generosidade; muitas vezes contamos o que damos e esquecemo-nos de contar o que ganhamos. 

Contamos grandeza e esquecemos que temos muitas, muitas fraquezas. 

Desde muito cedo aprendemos a contar; contar quem são nossos pais, contar nossa idade, contar o que queremos ser quando crescer, contar o que queremos ter.

Será que contamos para as pessoas o quanto elas são importantes na nossa contagem de bem-querer?

Estou aqui contando o quanto as horas para te ver.









17 dezembro, 2012

O tamanco


Como a maioria das pessoas fazem no final do ano, nós do Caap também fizemos: saímos para jantar. Entrei emcasa correndo, tomei banho, passei meu perfume predileto, peguei uma blusa emprestada da minha filha, coloquei uma calça jeans, que é comprida demais e não fica bem com sapato baixo. Catei um tamanco que tenho há pelo menos 10 anos – sim, tudo isso!–, mas é lindo, pois me deixa mais alta e, claro, isso favorece qualquer mulher. O incrível é que antes ele me machucava, mas agora não, pelo contrário, me dava uma sensação de leveza, parecia que eu pisava em nuvens. 

Como é bom estarmos entre amigos, ainda mais para comer, rir... E lá estavam minhas meninas: Marina, Simone e Ana Paula, e conosco estavam também meu marido, Miguel, o Altinho, digo Valtinho, Edilson e um amigo da Simone.

Do estacionamento para o salão do restaurante tem uma escada que subi tranquilamente com meu tamanco lindo.

Conversa vai, conversa vem, fomos nos servir no buffet e novamente meu caminhar foi tranquilo, leve, tipo assim Gisele Bündchen.

Logo depois de comermos chamei as meninas para irmos ao toalete e a Ana Paula, com aquele par de "zóios" que tem, disse calmamente:

 Dri, seu tamanco está descascando! Saindo a cor!

Quando abaixei os olhos vi aquilo. Meu Deus! Parecia que eu havia chutado todas as pedras do caminho de uma vida inteira. Medonhamente meu tamanco estava se desfazendo. Parecia que eu andava e eles afundavam (essa era a leveza que eu antes sentia). Saiam lasquinhas pelo chão.

Pedi para uma amiga ficar na minha frente e a outra atrás, como se isso escondessem os meus pés. Sabe aquela sensação que todo mundo ali olhava para mim, ou pior, para os tamancos? Eu, logo eu, que prezo os sapatos. Como pode acontecer isso?

Não preciso dizer quanto minhas amigas riram. Mas eu que não sou de entregar as chuteiras, digo os tamancos, aproveitei o resto da noite.

Um brinde aos amigos e aos sapatos!





06 dezembro, 2012

Corrente Literária: Saudade

Corrente Literária: Saudade

 

O que faço com essa ausência, com a falta de você?

Onde escondo minha dor?

 

Espio pela janela o jardim sendo tomado pelo mato e te vejo ali, fincado como planta sem vida aparente, mas com raízes profundas na terra, raízes profundas em mim. O soluço trava minhas palavras, apenas meus pensamentos falam. Falam coisas que não falamos, coisas que a vida nos deu tempo para ser e esquecemo-nos de dizer, esquecemos que a vida a qualquer hora pode ser substituída pela não vida. Por mais que eu tenha feito; dito, te amei pouco, fiz muito pouco tamanho o seu merecimento. Hoje me pergunto: por quê?  Não tenho contrição, mas tenho falta dos momentos em que sua palavra me apoiava, me repreendia, me alavancava, alcançava...

 

Muitas vezes em momentos decisivos, procuro pensar como você pensava e como agiria e isso me causa um suplício maior que eu, simplesmente porque não penso como ti, não com a sua sabedoria, com o seu jeito santo de olhar e ver, falar e sentir. Muitas vezes procuro no outro um pouco da sua aparência, mas nada se compara com sua beleza, nada e ninguém chegam naquilo que você foi, meu pai.

Sinto em minha boca um gosto rascante e um aperto no peito quando me lembro de que a cabeceira da mesa de jantar está vazia. Penso que voltar pra casa, nossa casa, é sentir que ela é muito maior sem você e muito pequena sem nós.

Saudade é a pessoa ficando mais longe e a dor ficando mais perto.